quinta-feira, 16 de abril de 2020

RN tem altas taxas de dengue, zika e chikungunya, aponta relatório


O Rio Grande do Norte apresentou taxas elevadas de casos prováveis de dengue, zika e chikungunya do Nordeste, segundo o Ministério da Saúde. No relatório, publicado neste mês pelo órgão máximo de Saúde do país, o Estado tem a segunda maior incidência de dengue no Nordeste por 100 mil habitantes (95,6), a segunda maior de chikungunya (22,5) e a maior taxa de incidência de zika (2,5) da região.

Os dados foram computados entre o período de 29 de dezembro de 2019 a 21 de março de 2020, o que corresponde 14 Semanas Epidemiológicas. De acordo com o documento, foram 3.354 casos prováveis de dengue e 780 de chikungunya. Com relação zika, que só teve seus dados computados até a 12ª semana, o Estado registra 86 casos.

O Rio Grande do Norte possui um óbito confirmado por dengue e três em investigação, segundo o Ministério da Saúde. Não há confirmações de mortes por chikungunya no Estado, mas um caso está sendo investigado pelas autoridades sanitárias. O Ministério da Saúde não traz um panorama de comparação com o mesmo período do ano passado.

A Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN (Sesap/RN) também emitiu o seu boletim epidemiológico nesta semana. Os números diminuíram no início de 2020 no Estado, em comparação com o mesmo período do ano passado. Foram notificados 4.077 casos suspeitos de dengue, sendo 728 confirmados e 763 descartados. No mesmo período do ano passado, por exemplo, foram notificados 4.076, sendo 1.107 confirmados e 1.356 descartados.

De acordo com a subcoordenadora de Vigilância Epidemiológica da Sesap/RN, Flávia Moreira, a redução apresentada pode estar associada a uma subnotificação, que estaria aliado ao fato dos potiguares estarem em quarentena em virtude da Covid-19. O isolamento social, inclusive, traz outra preocupação para a Vigilância Epidemiológica do Estado.

“Mais de 80% dos focos estão dentro dos domicílios. Os agentes visitam casa a casa e produzem relatórios e os focos estão dentro das residências. Esse momento de isolamento social é o que traz muita preocupação para vigilância porque elas estão todas juntas, o mosquito pode pegar todos de uma vez”, comentou. 

Dos 728 casos confirmados, 23 pacientes foram registrados com sinais de alarme e outros cinco casos foram registrados como casos graves. Um caso com alarme é quando o paciente apresenta vômitos, diarreia, dor abdominal e problemas no fígado. Já um paciente grave, além de precisar de leito de UTI, registra oligúria, sonolência, confusão mental, torpor, convulsão, sangramento, dificuldade respiratória, hipotensão, entre outros.

“A comparação da classificação dos casos de dengue nas SE 1 a 14 dos anos 2019 e 2020, mostra em 2020 um menor número de casos de dengue confirmados, provavelmente devido ao desabastecimento de insumos para confirmação laboratorial em 2020, como também ao advento da Covid-19, que mudou a dinâmica das notificações nos serviços de saúde”, aponta o boletim.

Com relação à chikungunya, foram notificados 905 casos suspeitos. Destes, 219 foram confirmados e 112 descartados 112. No mesmo período do ano passado, foram 583 notificações, sendo 263 confirmações e 197 casos descartados.

Natal:
A cidade de Natal registrou redução no número de casos e na incidência por 100 mil habitantes nas arboviroses em 2020. Segundo dados do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), computados entre a 1ª e a 15ª Semana Epidemiológica, a dengue, chikungunya e zika apresentaram reduções. A maior queda foi a da zika, com variação de 60%, caindo de 50 casos para 20, em comparação ao mesmo período de 2019.

Em números absolutos, a dengue registrou 1.325 casos em 2020, uma incidência de 14,92 por 100 mil habitantes. A variação com relação a 2019 é de 33%, quando a capital potiguar registrou 1.979 casos. A chikungunya também apresentou queda, saindo de 402 para 297, uma variação de 26,1%. Os óbitos confirmados caíram de três para dois e as mortes investigadas pelos agravos saltou de um para cinco, ambos no mesmo período.

Para o chefe do Centro do Controle de Zoonoses de Natal, Alessandre Medeiros, a situação pode se agravar em virtude da pandemia de coronavírus, uma vez que uma portaria do Ministério da Saúde não está mais permitindo a entrada dos agentes no interior das casas. 
“Aquelas visitas que fazíamos dentro da casa, não estamos mais fazendo. Só estamos fazendo fora da casa. Isso foi um prejuízo importante porque a maioria dos depósitos com foco são residenciais”, comentou Alessandre Medeiros. Ele aponta, ainda, que as autoridades de saúde do município já esperavam uma situação de mais atenção em Natal. 

Desde o ano passado, tanto a SMS quanto a Sesap, já comentava que havia uma expectativa negativa para esse ano. Isso porque temos a circulação no Estado do sorotipo II da dengue. Não temos situação epidêmica em Natal neste momento. Tivemos até redução no número de casos, mas vou ser sincero: não tenho certeza se é uma queda de verdade. Acho que ela é mais reflexo de uma subnotificação, as pessoas estão em casa, respeitando o isolamento social. Isso pode estar mascarando mais casos leves de dengue. É uma hipótese”, disse Alessandre Medeiros.

Recomendações à população:
Manter quintais livres de possíveis criadouros do mosquito;
Esfregar com bucha as vasilhas ou reservatórios de água de seus animais;
Não colocar lixo em terrenos baldios;
Manter as caixas d´água sempre tampadas;
Observar vasos e pratinhos de plantas que acumulam água parada;
Observar locais que possam acumular água parada como: bandeja de bebedouros e de geladeiras, ralos, pias e vasos sanitários sem uso;
Manter em local coberto, pneus inservíveis e outros objetos que possam acumular água;

Fonte: Ministério da Saúde

Nenhum comentário:

Postar um comentário

teste teste