quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Santa Cruz ainda corre o risco de perder o Curso de Medicina da UFRN


A situação é muito grave e delicada. Nas últimas semanas conversei com muitas fontes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, das quais todas destacam o risco que o município de Santa Cruz, especificamente a Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi (FACISA), corre em perder o curso de Medicina Multicampi. O modelo atual favorece a implantação no Seridó, além de uma direção acadêmica que privilegia aquela região.
Fazendo um resume breve sobre o curso de Medicina no interior do RN, na formatura da primeira turma da FACISA, na qual o Blog esteve presente e entrevistou a reitora Ângela Paiva, a mesma confirmou a possibilidade de Santa Cruz receber o curso de Medicina. Meses depois, Fátima Bezerra, no mandato de deputada federal, confirmou a articulação para Santa Cruz, através da FACISA implantar o curso. O que decepcionou todo Trairi foi ver o município de Caicó tomar o curso após alguma manobra na “surdina”, mas que por intermédio da deputada Fátima Bezerra e da Reitora Ângela Paiva, foi criada uma rede multicampi entre o Seridó e Trairi.
As forças políticas e acadêmicas tem interesse da permanência do curso de Medicina em Caicó, e as oportunidades que Santa Cruz teve no passado são sepultadas por uma lerdeza incrível e morosidade da classe política local. Grandes lutas foram travadas pelo já falecido radialista e poeta Hugo Tavares, criando o Movimento Santa Cruz, no qual sociedade civil luta pela ampliação e crescimento acadêmico federal. Sem apoio da classe política, que é provocada constantemente pelo “Movimento Huguista”, a FACISA pode perder um curso do porte de Medicina.
Não basta apenas a infraestrutura que será construída no terreno do Patrimônio da União, terreno do DNIT, às margens da BR-226, no bairro DNER, o curso de Medicina necessita de um apoio hospitalar, que será ofertado com a ampliação do Hospital Universitário Ana Bezerra, previsto para ocupação da área onde hoje ainda está de pé a Escola Miguel Lula de Farias. Pela lógica da eficiência da gestão, princípio constitucional, dentro de todas as competências da administração pública estaria a busca pelo bem comum, sendo imparcial, transparente, eficaz, desburocratizado e primando pela qualidade. Mas tudo isso de maneira legal e ética para melhor utilização dos recursos públicos e tendo maior rentabilidade social. Isso é o que está “no papel”, na prática a lentidão de um processo que precisa do poder pública, da classe política e de maior envolvimento de toda sociedade.
Se houvesse um pensamento lógico e coerente, todas as semanas deste ano debates sobre a incorporação do Regional Aluízio Bezerra deveriam ser travados, discutir o melhor caminho para o aproveitamento dos alunos da Escola Miguel Lula, mas tudo isso focando que a Universidade e o Hospital Universitário necessitam ampliar suas estruturas para oferecer serviços mais primorosos e que atendam também à todos. O curso de Medicina será um capítulo bem maior que estes até o momento. O turismo representa uma parcela ainda sem lógica cotidiana, mas é importante no nosso contexto atual.
A cidade turística e religiosa também casa com cidade universitária, em expansão e constante mudança. É preciso perceber que todas as engrenagens sociais precisam girar para o funcionamento perfeito dessa máquina pública. Quando uma para todos perdem. Enquanto as vaidades políticas são alimentas por politiqueiros de quinta categoria, sejam eles midiáticos ou não, Caicó “não brinca em serviço” e já discute todas as estratégias que Santa Cruz planeja há tempos. Pelo ritmo caicoense, Santa Cruz poderá “bater esteira” na busca pela implantação de Medicina, caso não consiga cumprir com todos os requisitos.
As articulações acontecem mas travam nas questões políticas de diferentes ordens. Até o momento Santa Cruz não avançou muito, na prática e materialmente falando, nada avançou. É preciso muito mais que palavras para convencer. No momento o risco para Santa Cruz perder o curso é tão alto quanto o valor do dólar americano no mercado financeiro.

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